segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Platão, Heráclito e a quimera do que somos.



 Platão, Heráclito e quimera do que somos.

      Quando me deparei pela primeira vez com Platão, me mantive conciso nas propostas cognitivas de meus professores, que tomados pela afirmativa permanente de sua validade e intocabilidade, faziam do mesmo, uma figura de conteúdo filosófico irrefutável e unicamente abrangente. O emergir na literatura de figuras como Niestzsche, Popper e Foucault, obrigatoriamente me conduziu à uma dimensão desvinculada da normatividade racional, que se propõe a distinguir o mundo real do mundo ideal, todavia, a caótica simbiose de propostas nadificantes e nadificadoras, que inundam as redes sociais, me levaram a tentar redefinir o que de fato é mundo real e o que não é categoricamente real.
     As correntes filosóficas tendem de modo pormenorizado, em suas distintas particularidades, a tratar a questão do real, a partir das "perspectivas reais", do real pensado, do real dado ou mesmo do real projetado e assim o sendo, elas variam discursivamente diante de questões ideais, dialéticas, experimentais - científicas e existenciais. Em suma, as propostas discursivas são decorrentes da fluidez do tempo presente, mesmo que não seja o presente, o presente em si, já que também, o tempo seria tão somente um conjunto de sucessões, sendo o real, a nulidade de uma rigidez conceitual, que demonstra a força inexorável do conceito de mutabilidade e variabilidade desenvolvido por Heráclito. O que podemos definir, é que o indefinível, é o definível imposto a muitos dentro da sociedade e da opinião pública brasileira.
     Pois bem, é diante da questão da imposição do definível, que beiramos nos dias atuais, uma insanidade quase irreversível sobre grupos que não conseguem distinguir o real de uma projeção do que seja real. Platão afirmou com todas as suas forças, que o real não era o real com o qual nos acostumamos, pois esse real da cadeira onde sento e da rua aonde ando, só seria uma cópia defeituosa ao extremo, da real ideia desses mesmos fenômenos; Partindo do pressuposto platônico, não há real, no real, que imaginamos ser real. Usando a lógica de seu pensamento, poderíamos pensar sobre o que há de real, na realidade do embate político brasileiro dos nossos dias e o que há de ideal nas construções teóricas das redes sociais.
      Pensemos assim: O Brasil, é o real dado, diante do ideal ocultado e assim o sendo, o Brasil, é a repetição fenomênica, de várias distorções históricas de um ideal negado, negado por distorções de nossa vã rotina, que se deixa consumir pelos contundentes e enfáticos discursos midiáticos, assim como pela propagação de uma ideia de apelo de massa, dentro das redes sociais. A nossa realidade seria assim, uma propagação das distorções, que em regra, são oriundas de um conjunto de negações afirmadas dialeticamente por aqueles que entendem que a relatividade do poder discursivo, é força operante nas mentes dominadas pelas aparências. Mas de fato, o que nos estariam negando, através dessas distorções discursivas? Pensando nisso, elencarei seis possíveis negações, a nós impostas:
  1) A negação do pertencimento, pois ultrajados diante de uma bipolaridade rasa, mas incrivelmente abrangente, caminhamos para um processo de afastamento corrente diante do outro; Conceitos histórico de classe, precariamente aplicados, anulam a humanidade de nossas diferenças e nos impedem de viver a verdadeira dialética do debate comum, seja ele nas instâncias de nossos relacionamentos afetivos, assim como nas instâncias de nossos convívios sociais. Ou seja, abominamos a diferença no pensar e enfatizamos a prevalência em atacar, denegrir e dissolver, tudo que seja categoricamente uma outra forma de pensar.
 2) A negação de um sistema de ensino para a vida, para a coletividade, para a cidadania; De fato, em todos os níveis do nosso ensino, o modelo que enfatiza a competição e a dissociação entre o que é o mundo transitado por um e pelo outro, se manifestam com força voraz; A escola ou mesmo as universidades, são espaços de negação do diálogo, da afirmação da diversidade, da construção de teorias e ações efetivamente transformadoras do real. O ensino que projeta o eu para si, é a afirmação da morte do "nós", já que ele deveria ser o caminho de reflexão permanente do que queremos e do que podemos para o aperfeiçoamento do "nós".
3) A negação de nossa própria história de reclusão de classes; muitas vezes penso como é contraditório, alguém que um dia viu seus pais e avós vivendo tremendas dificuldades e que hoje tem acesso ao consumo, educação e moradia, ser participante de um discurso contrário à manutenção de uma política de cunho social, que já retirou mais de 22 milhões de pessoas da miséria. Como alguém que sabe o significado da pobreza, pode ser contrário às políticas  que retiram pessoas da condição de miserabilidade? 
4) A negação da transformação do sistema político, não pelas figuras ou entidades partidárias, mas sim por uma nova configuração de sua própria estrutura. já que existem normas validantes a serem percebidas dentro do ambiente político, seja ele, teórico e prático, em nosso país e assim o sendo, é mais do que necessário, que nos obstaculizemos à manutenção de uma ordem, que agride o nascimento da multiplicidade, já que supostos campos lógicos de terminação política, ocultam o estratagema da promiscuidade entre os poderes existentes, assim como a corrosão do bem comum, por força da terminação nervosa, oriunda das relações finalísticas entre o campo da atuação pública e os interesses do grande capital, dos conglomerados nacionais e internacionais e dos perpetuadores do monopólio da concessão e da exploração dos serviços e do dinheiro público, por advento das relações contratuais e de influência de poder, resultantes do processo pré -partidário.
5) A negação de uma forma autônoma do existir, por meio da apropriação permanente de nossas mentes e práticas de consumo, aplicadas através do agir imperialista e colonizador. Uma das causas de nossa falência coletiva, é a incapacidade de seremos atuantes na luta pela quebra dos grilhões da prática e do pensamento monopolista das grandes potências mundias. A incapacidade de compreender a nossa história pela via da nossa própria leitura, daquilo que é realmente pertinente ao existir latino e brasileiro, especificamente nos expelem do caos ao caos, já que não sabendo quem somos, somos o outro "somos", que afirma nesse "somos", sua necessidade de corrosão de nossa própria leitura espacial e histórica, já que desprovidos da autonomia, continuamos acorrentados pela liberdade de um idealização exterior, que diariamente distorce nossa compreensão sobre as mazelas que nos afetam.
6) A negação da diversidade de gênero, cultura e cor, que é sutilmente afirmada, pelo jogo da moral infundada, na chamada "racionalidade social", que nega a pluralidade da escolha, mas que diz o contrário, afirmando a superioridade de uma cor e de seu mérito existencial; assim se assume o caráter difusor da homogeneidade comportamental, quando um parlamento conservador e arbitrário, uma mídia pretensamente libertária e o comando do imperativo divino, são convocados para denegrir a leveza da variabilidade das escolhas e do fluir humano. Essa negação, em última instância, afirma categoricamente, que antes do enfadonho embate sobre a "corrupção pública", há a corrupção violenta e degenerativa de todos os diversos atributos da maravilhosa falibilidade e variabilidade do que é humano.
       Em suma, não sou um efetivo e afetivo dependente da idealidade platônica, pois não creio no real ideal, mas cabe a qualquer mente sadia, entender que há distorções sobre a natureza do real, que somente a capacidade reflexiva mútua, poderá nos levar a vencer. Venceremos, não por causa de uma conquista da idealidade, mas sim por derrubarmos a violência das distorções imperativas, que nos dizem que devemos repetir o mais do mesmo, esquecendo que precisamos do mais do novo, novo esse, que não será o ideal dado, mas sim a continuidade de um fluxo permanente do nosso aperfeiçoamento. Sigamos o curso das águas e lembremos do saudoso Heráclito de Éfeso.

Bruno Leonardo - Professor e pesquisador

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Segunda nota sobre a reforma de Rodrigo Rollemberg


Antecipar qualquer julgamento sem o resultado concreto da reforma e efetivamente o que ela representará aos cofres públicos não seria de bom tom, mas, levando em consideração experiências anteriores bem sucedidas ou não, é possível antecipar resultados e ler nas entrelinhas o que propõem a atual administração do GDF. Deixo os quatro primeiros pontos como reflexão e analise que podem ser decisivos para formar opinião e os pontos seguintes específicos relacionados à reforma:

1 - Se uma das propostas de redução de secretarias está relacionada ao corte de custo e desoneração do Estado pela folha de pagamento, não será eficaz se não cortarem cargos de forma efetiva, em paralelo não vale ajustar os salários dos comissionados para equilibrar o impacto político.

2- O gesto de junção realocando cargos já foi feito no início do Governo, fracassou e levou o GDF a romper com o limite prudencial da Lei de responsabilidade fiscal tudo este ano e debaixo do nariz de todos, nomeou seus comissionados aos poucos e inchou a folha de pagamento, repetir a dose será parvoíce.

3 - A existência de uma estrutura especifica de Secretaria de Estado temática ou de gestão e sua organização hierárquica, diz muito das opções políticas, suas prioridades e visão de gestão de cada Governo para a cidade, a junção dos temas ou dos organismos de gestão do Estado precisa seguir critérios como qualquer decisão simples tomada em uma pequena empresa.

4 - Qualquer proposta de gestão precisa seguir critério e lógica.

5 - A junção da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão com a frágil e ignóbil Secretaria de Gestão Administrativa e Desburocratização seguem um lógica simples, ponto positivo, dois alertas precisam ser feitos:

5.1 - A Secretaria de Desburocratização, burocratizou, atrasou a gestão e centralizou ritos simples de competência das administrações regionais, erro que precisa ser corrigido urgentemente ou não fará diferença alguma alterar seis por meia dúzia.

5.2 - Em uma cidade que se distingue pelo número de servidores públicos como é o Distrito Federal, a Secretaria de Gestão Administrativa tem papel fundamental, é a paste responsável pela gestão de pessoal efetivo e diálogo com as categorias. O número de greves e paralisações dos diversos servidores do GDF só este ano, demonstra a dificuldade do atual governo em dialogar com os servidores. Sobre a atuação dos gestores responsáveis até este momento deixo uma sugestão, é preciso ter maior cuidado com avaliações pessoais, não podem influenciar a gestão ao ponto de comprometer a relação com quem faz a maquina girar.

6 - A Secretaria de Economia e Desenvolvimento Sustentável juntou-se com a Secretaria de Turismo:

6.1 - A Secretaria de Economia e Desenvolvimento Sustentável já é a junção de outras três Secretarias que ocorreram no primeiro dia de governo da atual gestão este ano, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Secretaria da Micro e Pequena Empresa e a Subsecretaria de Economia Solidária, desde o início do ano nada funcionou e se juntará com a Secretaria que mais realizou este ano.

6.2 - A Secretaria de Turismo do Distrito Federal, além de papel importante para a economia local e para o desenvolvimento econômico local, era talvez uma das poucas que funcionavam com eficiência, mesmo de forma mais silenciosa o ex Secretário Jaime Recena carregou Brasília nos ombros, agora é esperar para ver se, a eficiência de uma contamina a outra ou a ineficiência da outra contamina uma.

7 - A maior fusão ficou entre Secretaria do Trabalho, a Semidh que incorporou desde o início do "novo" Governo a Secretaria de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial, Direitos Humanos, juntam-se com a famosa SEDEST (Secretaria de Desenvolvimento Social), o que chama atenção é a diferença abissal que cumprem cada uma dessas Secretarias hoje e o papel que um único gestor terá de cumprir em relação aos temas tão diversificados, ou cria-se um modelo de gestão muito eficiente ou uma nova proposta de política pública de Estado para os temas propostos:

7.1 - Secretaria do Trabalho responde pelos trabalhadores do Distrito Federal de forma geral, a formação e o encaminhamento ao primeiro emprego, a gestão das gerencias de trabalho ou galerias do trabalhador, a inclusão do desempregado ao mercado de trabalho, pesquisas e indicadores referentes ao emprego e desemprego na cidade, além de fomentar a criação de novos postos de trabalho, nossa realidade é, efetivamente nada disso acontece de forma concreta, apesar das galerias empregarem bastante, mas, devido a oferta e procura.

7.2 - A Semidh (Secretaria de Politicas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos), todas essas Secretarias foram incorporadas anteriormente no início do ano. A Secretaria de Politicas para as Mulheres cuida exclusivamente da mulher do Distrito Federal tanto do ponto de vista da proteção da mulher, sua saúde física e mental, quanto de políticas inclusivas da mulher e do fortalecimento do seu papel na sociedade brasileira tão machista e preconceituosa, sem contar o papel das Delegacias da Mulher, casas de proteção e da atual Casa da Mulher Brasileira, tema específico e muito delicado de se relacionar, levando em consideração a militância de organismos dos terceiro setor e dos movimentos sociais que militam na pauta diretamente e diariamente. Assim segue com a mesma importância a Secretaria de Promoção a Igualdade Racial, que cuida exclusivamente da pauta de combate ao racismo.

7.3 - A SEDEST cuida do excluído, do fim da miséria, da redução da pobreza, das políticas afirmativas e de inclusão social no sentido amplo da palavra - moradores de rua, pedintes, famílias em situação de risco, usuários de álcool e dependentes químicos, etc.

8 - A extinção da Secretaria de Ciência e Tecnologia já diz tudo, diminuir o papel da pesquisa acadêmica, limitar a influência do desenvolvimento cientifico e tecnológico da cidade. Isso tudo por alguém que assumiu o papel de Secretário e defensor do tema quase que toda sua carreira política como fez Rodrigo Rollemberg, é negar a si próprio e sua história, pior, é negar a cidade o direito de crescer e expandir conhecimento.

9. A fusão da Secretaria de Esportes junto à Educação, para o esporte de alto rendimento no Distrito Federal parece não ser uma boa opção.

Se esta reforma administrativa do GDF não servir para uma economia vital e real aos cofres públicos, em meu entendimento não servirá para mais nada. Resta torcer para que de certo e aos poucos o Estado se recupere e volte a ter o papel e importância que esperamos que um Governo da Capital Federal de nosso país tenha.  

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Primeira nota sobre a reforma política do Rollemberg

Sabem o que achei mais engraçado nessa pequena nota sobre a reforma administrativa proposta pelo Rodrigo Rollemberg? Ele ter dito durante as eleições que não iria lotear o Governo aos Partidos Políticos e Deputados.

Entendam, não sou contra nada disso, acho que política é feita de gestos, símbolos, apoio e coletividade, tudo isso com muita coerência e sentido, o que é difícil de se praticar no Brasil. 

Sou contra mesmo a hipocrisia, o infanticídio político e a covardia de dizer a verdade as pessoas.

Nota retirada do Portal Metrópole.


domingo, 11 de outubro de 2015

Os golpistas querem cortar cabeças?

Eduardo-CunhaAécio-NevesLava-JatoCrrupçãoBlog-do-Mesquita
Impossível olhar o Brasil e não ver na paisagem política os conflitos ancestrais emergindo da história, desenhando a crise que rói as instituições da República, por mais sólidas que elas sejam.
Uma história vermelha de sangue. Aqui se dizimou nações indígenas inteiras, corromperam os gentios, tomaram suas terras, arrancaram-lhes a divindade, instalaram neles o Deus único e a culpa.
Escravizaram homens e mulheres negros, humilharam, violentaram, açoitaram, e os abandonaram à própria sorte, segregados.
O senhorio sempre manteve o poder de classe, a subordinação, com a ração numa mão e o chicote na outra.
A mentalidade colonial   persiste,  patrões e feitores ainda rugem nas ruas, nas manifestações recentes, nas empresas, nas famílias, no jornalismo, nas redes sociais, com o mesmo ranço da escravidão, com a mesma violência que cortaram cabeças de quem se rebelou, no passado, contra a dominação e a miséria.
Felipe dos Santos foi uma das primeiras vítimas a ser liquidada, por lutar pela liberdade, pela independência do Brasil.
Amarrado braços e pernas numa junta de cavalos bravios foi arrastado pelas ruas de Vila Rica até partir o corpo em pedaços.
Teve a cabeça decepada, exposta no paço, as partes do corpo salgadas e penduradas em árvores da estrada principal que dava na cidade.
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Tiradentes-Pedro-Americo
Degolaram e esquartejaram Tiradentes, também salgaram-lhe as partes do corpo e penduraram em postes nas ruas de Vila Rica.
O mesmo fizeram com Zumbi dos Palmares, cortaram-lhe a cabeça salgaram e levaram ao governador de Pernambuco, Melo de Castro. No Recife, a cabeça foi exposta em praça pública, no Pátio do Carmo.
Cortaram também as cabeças de Antônio Conselheiro, Lampião e seguidores deles, as expuseram em praças públicas.
Esses são apenas alguns exemplos da extrema opressão sofrida pelos de baixo desde a Colônia até os tempos atuais. A violência, a negação de direitos elementares e a rejeição à inclusão social continuam vivas na sociedade.
Sempre encarceraram, torturaram, mataram, para aterrorizar quem ousasse se rebelar contra o poder estabelecido. O Brasil é vermelho de sangue.
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O senhorio esmagou  todos os movimentos libertários, sempre teve as Forças Armadas a seu lado, ao longo da história, em vários ciclos de ditaduras, para reprimir movimentos, proteger o patrimônio e os privilégios de classe.
Assim, o senhorio se encastelou no topo da pirâmide e resiste a permitir que o povo conquiste os direitos de cidadania.
Na democracia os conservadores perdem sempre. Nos momentos históricos em que o Brasil adotou modelos de desenvolvimento e políticas de relações internacionais que levou a mais independência, associados a políticas sociais com expansão de direitos e inclusão social, erguem-se golpes pela via militar ou pela via do Judiciário.
O senhorio tem sempre maioria conservadora na estrutura do Estado e nas corporações de comunicação, com seus asseclas a postos, prontos para conspirar, solapar e derrubar governos.
Foi assim com Vargas, que sofreu uma campanha tão violenta que levou-o ao suicídio.
Foi assim com Juscelino Kubitscheck, com as tentativas de golpe, foi assim com João Goulart, que foi derrubado, e agora com Lula e Dilma. O enredo é o mesmo.
Só que na batalha para derrubar os governos Lula e Dilma o ódio de classe ressurgiu das entranhas da sociedade senhorial, instigado pelas corporações de comunicação e nas redes sociais, como reação ao empoderamento dos de baixo, e ao impacto da inclusão social proporcionada pelas políticas do governo federal nos últimos anos.
Nada menos que 36 milhões de brasileiros saíram da extrema pobreza, graças ao Bolsa Família e 42 milhões ascenderam à classe C.
Estudo do IPEA mostra que entre 2003 e 2012, os 10% mais pobres tiveram crescimento acumulado da renda real per capita de 107%, enquanto os mais ricos obtiveram incremento de 37% na renda acumulada.
Os ganhos reais foram quase três vezes maiores para os brasileiros mais vulneráveis socialmente. O muro da desigualdade, que parecia intransponível, começou a ser superado.
Novas universidades foram criadas (16), o Prouni, o Fies e o Pronatec estão permitindo o acesso da população mais desfavorecida ao ensino superior e ao ensino técnico profissionalizante.
O ajuste fiscal formulado para enfrentar os efeitos da crise e calibrar os gastos do governo, apesar de questionado pelo caráter recessivo, preservou os investimentos sociais.
Na política externa, entre outras coisas, em 2014, o Brasil pagou a dívida externa e acumulou reservas de US$ 376 bilhões.
O Brasil foi um dos articuladores do BRICS e do G-20.
Foi fundador do Banco do Brics, hoje com US$ 100 bilhões em caixa para investimentos, um banco de desenvolvimento que é alternativa ao FMI e ao Banco Mundial.
O comércio exterior brasileiro se diversificou, reduzindo a dependência em relação à economia dos Estados Unidos e da Europa.
A crise internacional de 2008, mostrou que essa foi a opção mais acertada, afinal, o Brasil já não dependia tanto de quem estava afundando na crise.
Essas são algumas, entre muitas outras conquistas da população da base da pirâmide e da política externa promovidas pelos governos Lula e Dilma, que os conservadores resistem reconhecer.
O mesmo ódio que cortou cabeças, esquartejou e salgou corpos no passado, cega os opositores ao governo, não permite que vejam os avanços do projeto de desenvolvimento sustentável.
Querem um golpe. Querem o poder para quê? Para retomar os negócios de colonizadores?
Alguém vê sensibilidade social no olhar de algum dos golpistas que se apresentam todos os dias nas telas de TV, nos jornais e revistas de final de semana?
Os opositores ao governo estão agarrados ao presidente da Câmara Eduardo Cunha, comprovadamente um dos políticos mais corruptos do país, e ao relatório do Tribunal de Contas da União, produzido por um ministro sobre o qual pesam denúncias contra ele, apuradas pela Operação Zelotes, da Polícia Federal, publicadas no jornal Folha de São Paulo, de ter recebido R$ 1,6 milhões por meios ilícitos.
Dos nove ministros do TCU, quase a metade está sendo investigada pela polícia. Que credibilidade tem esses ministros?
São os mesmos cegos de ódio ancestral.

http://laurezcerqueira.com.br/264/os-golpistas-querem-cortar-cabecas.html

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

10ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Mundo



A 10ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Mundo é um evento que celebra há nove edições o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948. A Mostra dedica-se a apresentar filmes que discutem temas atuais de Direitos Humanos.
Realizado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), com produção do ICEM - Instituto Cultura Em Movimento e patrocínio da Petrobras, do BNDES e da Caixa Econômica Federal,o evento acontecerá nas 26 capitais e no Distrito Federal e todas as sessões serão gratuitas.
A programação compreende uma seleção de filmes contemporâneos que são também selecionados por meio de chamada pública, além de uma retrospectiva histórica, homenagens e programas especiais.
Pelo segundo ano consecutivo, a Mostra será realizada também em até 1.000 espaços culturais pelo Brasil, assumindo um caráter descentralizador e democrático no Circuito Difusão, que ocorrerá entre os meses de janeiro e abril de 2016.
Convocatória
Prevista para os meses de novembro e dezembro de 2015, a 10ª Mostra Cinema e Direitos Humanos no Mundo abre chamada para receber trabalhos audiovisuais.
Serão selecionados por prospecção e curadoria os filmes que serão exibidos em todas as capitaisdo país e no Distrito Federal.
O evento será voltado à exibição de obras finalizadas a partir de 2011 cujo conteúdo contemple aspectos relacionados aos Direitos Humanos, tais como:
• Direitos das pessoas com deficiência;
• População LGBT/enfrentamento da homofobia;
• Memória e verdade;
• Crianças, adolescentes e juventude;
• Pessoas idosas;
• População negra;
• População em situação de rua;
• Mulheres;
• Direitos Humanos e segurança pública;
• Proteção aos defensores de Direitos Humanos;
• Combate à tortura;
• Situação prisional;
• Democracia e Direitos Humanos.
Não há restrição quanto à duração, gênero ou suporte de captação/finalização. As exibições serão em suporte digital.
A ficha de inscrição deve ser preenchida “Clique aqui”, impressa, assinada e enviada via correio, juntamente com uma cópia em DVD do filme, até 9 de outubro de 2015 para:
10ª Mostra Internacional Cinema e Direitos Instituto Cultura Em Movimento - ICEM
Av. Franklin Roosevelt, nº 23 sala 1201 – Centro
Rio de Janeiro – RJ
CEP: 20.021-120 Mais informações podem ser obtidas pelos telefones:
+55 21 3804.5600 (Instituto Cultura Em Movimento)
+55 61 2027.3905 (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República)
icem@icemvirtual.org.br


http://www.mostrainternacionalcinemaedireitoshumanos.com/

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O inominável aconteceu no velório em BH



Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

Por mais antigo e rodado que a gente seja, por mais aberrações humanas que já tenha visto, chega uma hora em que nos faltam palavras para definir certos fatos recentes.

O que aconteceu no velório de José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT e da Petrobras, em Belo Horizonte, na segunda-feira, está entre estes casos. Não tem nem nome. É inominável. Tive que recorrer ao Dicionário Online de Português, que dá a seguinte definição:

"Diz-se do que não possui nome por não se conseguir definir nem qualificar. Figurado. Excessivamente abominável para ser nomeado; horroroso ou péssimo. (Etm. do latim: innominabilis.e).

Dutra morreu domingo, aos 58 anos, após uma longa luta contra o câncer de pele. Faz tempo estava afastado dos embates da política. Enquanto a família e amigos velavam seu corpo, ocupantes de um carro jogaram panfletos no local, em que se lia: "Petista bom é petista morto". É uma adaptação do lema do "Esquadrão da Morte", grupo de extermínio montado na época da ditadura militar. Os criminosos não foram identificados até o momento em que escrevo.

Na porta do velório, um cidadão chamado Cipriano de Oliveira, aposentado de 60 anos, justificava o ato criminoso: "Qualquer momento é momento de mandar um bandido embora. Até no enterro da minha mãe eu faria isso".

Ainda não era tudo. Outro panfleto mostrava uma fotomontagem com a presidente Dilma Rousseff sentada num vaso sanitário e a frase: "Só faz cagada". Num cartaz, ao lado de uma bandeira do Brasil, estava escrito: "Fora Lula de Minas. Sua hora também está chegando". O ex-presidente compareceu ao velório.

Em seu blog, minha colega Tereza Cruvinel recorreu à palavra vilipêndio para contar o que aconteceu em Belo Horizonte. É uma expressão antiga, que há tempos não ouvia. Define bem o que fizeram com o corpo do político morto, a exemplo do que vemos todos os dias em certos setores da nossa mídia desvairada e irresponsável, que incentiva este crescente clima de ódio e intolerância no nosso país.

Não há mais limites, hora nem lugar para a estupidez dessa gente se manifestar. Vivemos, acima de tudo, uma crise de falta de valores humanos, de caráter, de civilidade. É tudo muito triste.