Hoje esta mais do que claro para todas as forças políticas que a juventude é uma prioridade organizativa. É perceptível a volta de sua inquietude questionadora que, ainda de forma embrionária, se manifesta uma rejeição incipiente às formas dominantes de viver. Como vanguarda minoritária, isoladamente, se insurgem contra a polícia, o extermínio de jovens, a criminalização da maconha, o machismo, o poder coronelista em alguns pontos do país, e aos partidos mais retrogradas.
Será preciso um enorme trabalho político para dar sentido a essa rebeldia volátil e conectar esta parcela da juventude na luta por uma política mais global e devemos atuar firmemente no Movimento Estudantil e nas lutas da juventude como um todo.
Embora não possamos antever a configuração do movimento que a rebeldia latente da juventude promete eclodir, podemos apostar que será um movimento de caráter juvenil e popular, autônomo em relação às instituições e corporações que não se adequarem a este momento e com fortes traços culturais. Mais do que estar preparado,devemos ajudar a pari-los e disputar sua hegemonia no sentido de conduzi-los para uma política mais ampla.
Faz-se urgente e necessário também, gestar um novo movimento que não seja só um ato de rebeldia com a cultura dominante, mas que consiga sim e muito, produzir algo novo, forte, tropical, democrático, ambiental, universal e humano, assim como a semana de arte moderna, a tropicália e outros representaram para suas respectivas gerações.
Por outro lado, a juventude no mundo é o setor que será mais agredida pela crise econômica mundial, e deve se preocupar e lutar contra as graves questões geopolíticas da atualidade, as ameaças à paz derivadas das políticas neocolonialistas e com as lutas dos povos e nações por um novo ordenamento econômico e político mundial.
No Brasil, os dez anos de governo PT caminhou na contra mão desse processo global, o Pró-Uni, a construção de novas universidades, as bolsas de estudo fora do Brasil etc., vai fazendo dessa juventude, numa escala de massas, a mais qualificada tecnicamente que o Brasil já teve. E se juntarmos isso, com a questão da grande criação de empregos que indiscutivelmente temos hoje, teremos um futuro mais nobre para essa nova geração.
Mas só isso não basta, essa nova geração tem que lutar pelos seus direitos, direitos quais, que passam por lutas como a da Reforma Política e Eleitoral, Reforma Tributária e de lutas de natureza ambiental e de melhoramentos democráticos, principalmente na comunicação.
O PT esta no caminho certo, o PED, principalmente para a juventude, vai buscar uma perspectiva tática e estratégica, para essa geração seguir na consolidação de uma frente social e política de forças transformadoras e progressistas, defendendo o legado histórico do partido e o de Lula, que hoje estão sendo atacados por um setor coronelista, golpista e sem projeto.
A renovação de 20% suas cadeiras de direção para jovens, fortalecerá o papel de protagonista e dirigente, para que os novos quadros possam enfrentar esses desafios.
Neste quadro de gigantes desafios e responsabilidades,ainda temos de somar aos debates a questão de política de aliança e do processo eleitoral como um todo para 2014. Além de trilhar os caminhos de resistência à brutal ofensiva conservadora hoje em curso. E seguir na luta por mais Direitos aos Trabalhadores e conquistando mais avanços na pauta de Direitos Humanos, de defesa da soberania nacional e da paz.
Essa é uma tarefa irrecusável e inadiável das forças consequentes em sua opção política, para que possamosassim, seguir mais dez anos na construção de um Brasil onde a justiça social, a fraternidade e a solidariedade não sejam meros conceitos e sonhos e, sim, realidade e vida.
Pedro de Deus Del Castro
sexta-feira, 24 de maio de 2013
terça-feira, 21 de maio de 2013
Do novo ao novo - Cap. II
"O nome de Padilha é apoiado principalmente pela militância ávida
por renovação de ideias, programas, propostas novas, de uma cara nova para o
PT..." (Blog do Zé Dirceu) neste caso, o Ministro da Saúde Alexandre
Padilha simboliza e simplifica um momento político brasileiro que exige do
Estado Político uma reflexão e compreensão do que se configura a palavra de
ordem do início deste novo século, “renovação”, como Fernando Haddad (PT) em
São Paulo, Eduardo Leite (PSDB) em Pelotas – RS, entre vários outros em todo
Brasil. É esperado e ansiado por grande parte da
população um novo ambiente político, com ideias e comportamentos condizentes
com o Brasil que queremos, ficou nítido nestas últimas eleições municipais o
recado das urnas e é necessário analisarmos as vitórias e derrotas como reflexo
de uma aspiração social comparativa à evolução e o crescimento sócio econômico,
sócio cultural e os indicadores sociais referentes a gênero e idade da
população brasileira. Vivemos em um novo momento político e econômico e é
necessário que todos avaliem assim, concordando com a aplicabilidade do projeto
nacional ou não. Grupos mais conservadores ou que sofrem grande influência do
mercado podem ser contrários às políticas e a forma como o Estado é conduzido,
mas, não podem negar a exposição global e a influência do Estado brasileiro na
atualidade, muito menos negar a força e a inclinação do mercado interno para o
fortalecimento do país. Tudo isso reflete diretamente no cotidiano do
brasileiro em diversas escalas e em cada uma delas, velhas práticas e modelos
de gestão, não se encaixam mais no perfil do brasileiro.
Neste texto não direciono o arco de reflexão a
questões ideológicas tão somente, a percepção do novo vem do cotidiano, não é
uma necessidade de partidos de esquerda, centro ou de direita, é uma
necessidade política do país que vai além das bandeiras pré-definidas, nada do
que se propõem hoje é diferente do que se discutiu ao menos nos últimos 20
anos. Reitero a palavra “novo” como afirmação de um contexto de produção
teórico e de comportamento, elevando o sentido a compreensões de estrutura
social da pratica do fazer, ser e propor. A necessidade de mudar do povo
brasileiro não vem da ideia de se construir algo totalmente original ou
exclusivo, é preciso perceber as insatisfações ligadas ao cumprimento de regras
simples, de comportamento social e educacional. As maiores críticas foram
transformadas em votos característicos do discurso ou o que o voto cria de
efeito prático no resultado final da eleição, não cabem apontamentos ou analise
de cada mandato ou voto neste contexto especificamente, e sim uma reflexão
macro sobre a mudança de comportamento da sociedade brasileira em vários âmbitos e aspectos, obviamente, compreendendo as variações regionais e a
interferência da grande mídia e o impacto causado pelas mídias alternativas, o
poder de influência dessas ferramentas e o quanto a sociedade é influenciada
por elas. Uma grande dicotomia assola uma massa descontente e sem poder de
analise mais profunda da nova classe média, ao mesmo tempo em que se nega a
política se vive dela, desde o custo da energia ao valor do custo do transporte
público, são decisões e valores reflexos de conceitos da política acrescentados
de conteúdo econômico ou de planejamento governamental, mas, no fim a soma dos
tributos, impostos e juros aplicados ao mercado capital ou não, sofrem
diretamente influência política interna e externa.
Este conceito comum sobre a política e quem a
pratica no país caiu em descrédito, os partidos políticos que não envelheceram
e perderam o diálogo com a sociedade, envelheceram suas lideranças e perderam
base social ou nunca existiram de fato dentro de uma estrutura político-partidária
que contribua de alguma forma para a vida pública do país, as exceções neste
caso também entram no grupo de partidos que vem envelhecendo e precisam se
renovar. Por conta disso, o discurso apartidário toma dois sentidos dispare, o
primeiro é o afastamento da sociedade e o desinteresse pela vida pública, o
segundo é a manobra estratégica de reduzir o papel do partido, transformando figuras
e personificando o debate ampliando o papel dos pequenos partidos. Os dois
sentidos são maléficos do ponto de vista democrático, não constroem ou melhoram
o bem estar social, muito menos contribuem para mudar qualquer ordem política
que seja, serve somente para benefício individual de quem replica a ideia ou de
um grupo específico que ganha com o enfraquecimento das estruturas partidárias
sólidas. Neste sentido, o que seria natural se tornou diferente, e costumes e
práticas de cidadania comuns a todos se tornaram feitos e bandeiras políticas,
tudo isso na conta do empobrecimento do debate político, da superficialidade
dos discursos e da pauta criminal dos jornais quando se referem à política;
transformou-se ética, coerência, honestidade em bandeiras políticas.
Estrategicamente, orquestrado por grupos econômicos ou não o fato é, temas que
deveriam ser naturais e comuns na sociedade acabam ocupando o espaço de grandes
debates da nação que deveriam ser prioridade da agenda nacional (reforma
tributária, 100% do Pré-Sal para educação, reforma política, maioridade penal,
união homoafetiva, etc.).
No resumo geral é a população que esta ávida por renovação de ideias,
programas, propostas novas, e caras novas para os partidos políticos
brasileiros, quem tiver condições de alcançar este patamar sai à frente dos
outros. Vejo nos dois maiores partidos do país condições estruturais para
conquistar este espaço, tanto o PT quanto o PSDB desfrutam de base social e
instrumentos internos que podem traçar um caminho sólido, de renovação em âmbito
nacional. É claro que existem variações dentro de todo este contexto, a ideia
central não é traçar as divergências ou convergências que afluem em qualquer
paradoxo e sim concentrar a analise de forma difusa, possibilitando uma analise
contínua do ambiente social, econômico e político, de forma ampliada não atendo como regra a realidade geral a partir de nossa
própria realidade de vida, limitando assim o campo de visão, não permitindo ver
para além dos muros de nosso próprio convívio social. Se buscarmos uma
linha clara de diálogo e de interesses consensuais na agenda nacional, poderemos
clarear o ambiente e seguir na construção de um país forte, competitivo,
moderno e sólido. Importante é todos terem a dimensão de que o Brasil é maior que o nosso individualismo e interesses
pessoais.
Segundo
o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) os dados referentes
Número de
candidatos e prefeitos eleitos por faixa etária
|
||
Faixa etária
|
Candidatos
|
Eleitos
|
Até 25 anos
|
151
(1%) |
44
(0,79%) |
Entre 26 e 45 anos
|
5.665 (37,44%)
|
2.147 (38,95%)
|
Entre 46 e 65 anos
|
8.510 (56,25%)
|
3.061 (55,53%)
|
Acima de 65 anos
|
801
(5,29%) |
206
(4,71%) |
Fonte:
Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
|
||
quarta-feira, 1 de maio de 2013
O PAPEL DA EDUCAÇÃO NA DIMINUIÇÃO DA CRIMINALIDADE ENTRE MENORES
Um tema que atualmente toma conta dos debates políticos e que tem
defensores e opositores é a redução da maioridade penal. Como educador
que deixar uma reflexão sobre o assunto.
Sobre o assunto me posiciono favorável ao tema, pois acredito que a
falta de punições à altura tem contribuído para o aumento da
criminalidade entre menores, mas, e esse é um “MAS” bem maiúsculo,
essa não é nem de longe a principal ou a melhor solução.
Vários estudos comprovam que a falta de interesse das crianças na
escola, a evasão escolar, a falta de condições de frequentar as aulas
e o fraco desempenho favorecem a criança para que entre na criminalidade. Nem vou entrar em outros méritos como a pobreza e a desestruturação familiar.
O que fazer? É necessário, urgentemente, repensar nossas políticas públicas na educação. São necessários novos métodos e novas metodologias para tornar nossas salas de aulas mais atrativas, mais interessantes e mais cativantes. O ensino puro e simples já se mostra ultrapassado diante uma população juvenil mais pensante e crítica.
É preciso criar meios para evitar gastos de bilhões anuais com a criminalidade e suas consequências e aplicar os recursos em novas políticas educacionais.
Somente a título de exemplo em como a educação, não somente a escola, mas a formação como um todo pode contribuir para a diminuição da criminalidade. Sou Diretor de uma instituição que ministra cursos preparatórios para alunos do ensino fundamental e médio para que eles possam tentar o ingresso nas academias militares. As aulas acontecem todos os dias, no contraturno do colégio e aos sábados temos aulas de educação física. É incrível ver como a autoestima deles muda quando vestem a camiseta do curso, quando estão na sala de aula conhecendo as peculiaridades de cada academia militar e ver nos rostos a esperança de que um dia viverão dias melhores. É claro que nosso curso é pago, mas o que quero ressaltar é que temos condições de levar nossos
jovens, através da educação e da formação, a sonhar mais alto do que somente fazer sucesso com um “lek lek lek” (nada contra ou a favor de quem canta ou gosta).
Temos que formar nossos jovens para que a curiosidade deles seja alimentada com aquilo que os levará além.
De outro lado, quando olho da janela da minha sala para a praça do relógio no centro de Taguatinga, vejo dezenas de jovens sem perspectiva e sem sonhos, entregando seu futuro às drogas e à criminalidade.
A educação não é a salvação da lavoura, mas com certeza é um belo início para minorar o crescente problema social que temos vivido.
Prof. Charlie Rangel
Graduado em Administração de Empresas e Teologia
Especialista em Gestão Escolar e Auditoria
defensores e opositores é a redução da maioridade penal. Como educador
que deixar uma reflexão sobre o assunto.
Sobre o assunto me posiciono favorável ao tema, pois acredito que a
falta de punições à altura tem contribuído para o aumento da
criminalidade entre menores, mas, e esse é um “MAS” bem maiúsculo,
essa não é nem de longe a principal ou a melhor solução.
Vários estudos comprovam que a falta de interesse das crianças na
escola, a evasão escolar, a falta de condições de frequentar as aulas
e o fraco desempenho favorecem a criança para que entre na criminalidade. Nem vou entrar em outros méritos como a pobreza e a desestruturação familiar.
O que fazer? É necessário, urgentemente, repensar nossas políticas públicas na educação. São necessários novos métodos e novas metodologias para tornar nossas salas de aulas mais atrativas, mais interessantes e mais cativantes. O ensino puro e simples já se mostra ultrapassado diante uma população juvenil mais pensante e crítica.
É preciso criar meios para evitar gastos de bilhões anuais com a criminalidade e suas consequências e aplicar os recursos em novas políticas educacionais.
Somente a título de exemplo em como a educação, não somente a escola, mas a formação como um todo pode contribuir para a diminuição da criminalidade. Sou Diretor de uma instituição que ministra cursos preparatórios para alunos do ensino fundamental e médio para que eles possam tentar o ingresso nas academias militares. As aulas acontecem todos os dias, no contraturno do colégio e aos sábados temos aulas de educação física. É incrível ver como a autoestima deles muda quando vestem a camiseta do curso, quando estão na sala de aula conhecendo as peculiaridades de cada academia militar e ver nos rostos a esperança de que um dia viverão dias melhores. É claro que nosso curso é pago, mas o que quero ressaltar é que temos condições de levar nossos
jovens, através da educação e da formação, a sonhar mais alto do que somente fazer sucesso com um “lek lek lek” (nada contra ou a favor de quem canta ou gosta).
Temos que formar nossos jovens para que a curiosidade deles seja alimentada com aquilo que os levará além.
De outro lado, quando olho da janela da minha sala para a praça do relógio no centro de Taguatinga, vejo dezenas de jovens sem perspectiva e sem sonhos, entregando seu futuro às drogas e à criminalidade.
A educação não é a salvação da lavoura, mas com certeza é um belo início para minorar o crescente problema social que temos vivido.
Prof. Charlie Rangel
Graduado em Administração de Empresas e Teologia
Especialista em Gestão Escolar e Auditoria
terça-feira, 30 de abril de 2013
Redução da maioridade penal: Quem Interessa?
Reduzir a maioridade penal é reconhecer a incapacidade do Estado brasileiro de garantir oportunidades e atendimento adequado à juventude, seria um atestado de falência do sistema de proteção social do País.
Defender a diminuição da maioridade penal "no calor da emoção" não garante o combate às verdadeiras causas da violência no país. A certeza da punição é o que inibe o criminoso, e não o tamanho da pena.
É uma medida ilusória que contribui para que tenhamos criminosos profissionais cada vez em idade mais precoce, formado nas cadeias, dentro de um sistema prisional arcaico e falido. No Brasil existe a certeza da impunidade, já que apenas 8% dos homicídios são esclarecidos. Precisamos de reestruturação das polícias brasileiras e melhoria na atuação e estruturação do Judiciário e não de medidas que condenem o futuro do Brasil à cadeia.
O índice de reincidência no sistema prisional brasileiro, conforme dados oficiais do Ministério da justiça, chega a 60%, o que, indica "claramente" que se trata de um sistema incapaz de resolver a situação. Já no sistema socioeducativo, por mais crítico que seja, estima-se a reincidência em 30%.
Se colocar adultos nas cadeias de um sistema falido não resolveu o problema da violência, e essas pessoas voltam a cometer crimes após ficarem livres, por que achamos que prender cada vez mais cedo será eficiente?
Modificar a legislação atual para colocar jovens na cadeia reforça a ideia do "encarceramento em massa" o que, não é eficiente. Os jovens brasileiros figuram mais entre as vítimas da violência do que entre os autores de crimes graves.
Os números da Fundação Casa, em São Paulo, mostram que latrocínio e homicídio representam, cada um, menos de 1% dos casos de internação de jovens para cumprimento de medida socioeducativa, sendo a maioria dos casos de internação por roubo e tráfico de drogas. Além disso, o último Mapa da Violência indica que a questão a ser encarada do ponto de vista da política pública é a mortalidade de jovens, sobretudo, dos jovens negros, e não a autoria de crimes graves por jovens.
Segundo o último Mapa da Violência, de cada três mortos por arma de fogo, dois estão na faixa dos 15 a 29 anos. De acordo com a publicação, feita pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos e pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, os jovens representam 67,1% das vítimas de armas de fogo no País.
Precisamos mudar o foco do discurso, elaborar melhor nossos argumentos! Concentrar em soluções imediatistas é tentar corrigir um erro cometendo outro. Apenas reivindicar a redução da maioridade penal é sustentar um discurso vazio, que no fundo quer dizer que “eu não quero perto de mim o criminoso, mas me importo muito pouco com as causas desse cenário e muito menos com o que será desse jovem”. É preciso que os setores organizados da sociedade de fato se comprometam na busca de soluções para reduzir a violência e para permitir que os jovens vivam em toda a sua plenitude, e como cidadãos, essa fase tão importante de suas vidas.
Gabriel Villarim é Conselheiro Tutelar da Asa Norte
domingo, 21 de abril de 2013
Os Direitos Humanos e sua evolução histórica
Por Valdemir Pascoal
De maneira bem sucinta, iremos abordar alguns aspectos históricos da evolução dos direitos humanos, pretendemos demonstrar os inúmeros caminhos que foram percorridos para que todos os homens passassem a ter direitos reconhecidos e respeitados pelo Estado. Os direitos humanos fundamentais, em sua concepção atualmente conhecida, surgiram como produto da fusão de várias fontes, desde tradições arraigadas nas diversas civilizações, até a conjugação dos pensamentos filosóficos - jurídicos, das ideias surgidas com o cristianismo e com o direito natural.
A origem dos direitos individuais do homem pode ser apontada no antigo Egito e na Mesopotâmia, no terceiro milênio A.C, onde já eram previstos alguns mecanismos para proteção individual em relação ao Estado. O famoso e conhecido Código de Hammurabi, talvez seja a primeira codificação a consagrar um rol de direitos comuns a todos os homens, tais como a vida, a propriedade, a honra, a dignidade, a família, prevendo, igualmente, a supremacia das leis em relação aos governantes. A influência filosófica - religiosa nos direitos do homem pôde ser sentida com a propagação das ideias de Buda, basicamente sobre a igualdade de todos os homens. Posteriormente, já de forma mais coordenada, porém com uma concepção ainda muito diversa da atual, surgem na Grécia vários estudos sobre a necessidade da igualdade e liberdade do homem, destacando-se as previsões de participação política dos cidadãos (democracia direta de Péricles); a crença na existência de um direito natural anterior e superior ás leis escritas, defendida no pensamento dos sofistas e estoicos (por exemplo, na obra Antígona-441A. C, Sófocles defende a existência de normas não escritas e imutáveis, superiores aos direitos escritos pelo homem).
Entretanto, foi com o Direito Romano que se estabeleceu um complexo mecanismo de interditos visando tutelar os direitos individuais em relação aos arbítrios estatais. A lei das doze tábuas pode ser considerada a origem dos textos escritos consagradores da liberdade, da propriedade e da proteção aos direitos do cidadão.
Entretanto, foi com o Direito Romano que se estabeleceu um complexo mecanismo de interditos visando tutelar os direitos individuais em relação aos arbítrios estatais. A lei das doze tábuas pode ser considerada a origem dos textos escritos consagradores da liberdade, da propriedade e da proteção aos direitos do cidadão.
Precedentes históricos da evolução dos direitos humanos.
De acordo com os autores Fábio Konder Comparato e Manoel Gonçalves Ferreira Filho, os mais importantes antecedentes históricos das declarações de direitos humanos fundamentais encontram-se, primeiramente, na Inglaterra, onde podemos citar - A Magna Charta Libertatum, outorgada por João sem - terra em 15 de junho de 1215, previa a liberdade da igreja da Inglaterra, restrições tributárias, proporcionalidade entre delito e sanção - previsão do devido processo legal, nenhum homem será detido ou sujeito a prisão, ou privado dos seus bens, ou colocado fora da lei, ou exilado, ou de qualquer modo molestado, e nós não procederemos nem mandaremos proceder contra ele senão mediante um julgamento regular pelos seus pares ou de harmonia com a lei do País.
Lei de Habeas - Corpus - 1679
Consistiu no fato de que essa garantia judicial, criada para proteger a liberdade de locomoção, tornou-se a matriz de todas as que vieram a ser criadas posteriormente, para a proteção de outras liberdades fundamentais. Na América latina, por exemplo, o juicio de amparo e o mandado de segurança copiaram do habeas - corpus a característica de serem ordens judiciais dirigidas a qualquer autoridade pública acusada de violar direitos líquidos e certos, isto é, direitos cuja existência o autor pode demonstrar desde o início do processo, sem necessidade de produção ulterior de provas.
Declaração de Direitos (Bill Of Rights) - 1689
Promulgado exatamente um século antes da Revolução Francesa, pôs fim, pela primeira vez ao regime de monarquia absoluta, no qual todo o poder emana do rei e em seu nome é exercido. A partir de 1689, na Inglaterra, os poderes de legislar e criar tributos já não são prerrogativas do monarca, mas entram na esfera de competência reservada do Parlamento.
A Declaração de Independência dos Estados Unidos da América
A Independência das treze colônias britânicas da América do norte, em 1776, reunidas primeiro sob a forma de uma confederação e constituídas em seguida em estado federal, em 1787, representou o ato inaugural da democracia moderna, combinando, sob o regime constitucional, a representação popular com a limitação de poderes governamentais e o respeito aos direitos humanos. A característica mais notável da Declaração de Independência dos Estados Unidos reside no fato de ser ela o primeiro documento a afirmar os princípios democráticos, na história política moderna.
As Declarações de Direitos da Revolução Francesa - 1789
Com estilo abstrato e generalizante distingue, nitidamente, a declaração de 1789 dos bills of rights dos Estados Unidos. Os americanos, em regra, com a notável exceção, ainda aí, de Thomas Jefferson, estavam mais interessados em firmar a sua independência e estabelecer o seu próprio regime político do que em levar a ideia de liberdade a outros povos.
Enquanto que os revolucionários de 1789, ao contrário, julgavam-se apóstolos de um mundo novo, a ser anunciado a todos os povos e em todos os tempos vindouros. A Revolução Francesa desencadeou, em curto espaço de tempo, a supressão das desigualdades entre indivíduos e grupos sociais, como a humanidade jamais experimentara até então.
Enquanto que os revolucionários de 1789, ao contrário, julgavam-se apóstolos de um mundo novo, a ser anunciado a todos os povos e em todos os tempos vindouros. A Revolução Francesa desencadeou, em curto espaço de tempo, a supressão das desigualdades entre indivíduos e grupos sociais, como a humanidade jamais experimentara até então.
Declaração de direitos da UNU de 1948
Essa foi sem sombras de dúvidas a mais importante de todas as declarações anteriores. O mundo acaba de sair de uma grande guerra mundial, onde se calcula-se que morreram mais de 60 milhões de pessoas, milhares de atrocidades foram cometidas,contra os direitos humanos. A Declaração de 1948, retomando os ideais da Revolução Francesa, representou a manifestação histórica de que se formara, enfim, em âmbito universal, o reconhecimento dos valores supremos da igualdade, da liberdade e da fraternidade (ou solidariedade) entre os homens.
A Declaração se abre com a afirmação solene de que “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos; são dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. Reconheceu-se, assim, na seqüência das primeiras declarações nacionais de direitos, a americana e a francesa, o princípio da igualdade essencial de todo ser humano em sua dignidade de pessoa; vale dizer, o fundamento de todos os valores, sem distinções de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra.
Nos anos subseqüentes, as Nações Unidas aprovaram duas convenções internacionais, destinadas a confirmar o princípio da igual dignidade de todos os seres humanos: a primeira, em 1952, sobre a igualdade de direitos políticos de homens e mulheres; a segunda, em 21 de dezembro de 1965,sobre a o pecado capital contra a dignidade humana consistiu sempre em considerar e tratar o outro – um indivíduo, uma classe social, um povo – como inferior, sob pretexto da diferença de etnia, gênero, costumes ou fortuna patrimonial. Sucede que algumas diferenças humanas não são deficiências, mas, bem ao contrário, fontes de valores positivos e, como tal, devem ser protegidas e estimuladas. Pode-se aprofundar o argumento e sustentar, como fez Hannah Arendt ao refletir sobre a trágica experiência dos totalitarismos no século XX,que a privação de todas as qualidades concretas do ser humano, isto é, de tudo aquilo que forma a sua identidade nacional e cultural, torna-o uma frágil e ridícula abstração. À luz desse princípio, a UNESCO afirmou solenemente, na Declaração sobre Raça e Preconceito Racial, aprovada em 27 de novembro de 1978, que “todos os povos têm o direito de ser diferentes, de se considerarem diferentes e de serem vistos como tais”. Atualmente, o princípio da igual dignidade de todos os seres humanos é consagrado, no direito interno e no direito internacional, em duas dimensões. Há a igualdade que os gregos denominavam aritmética ou sinalagmática (vale dizer, contratual), dominante no plano das relações interindividuais, a qual supõe uma paridade de situações de fato. E há também a igualdade geométrica ou proporcional, que consiste em tratar desigualmente os que se acham em situação desigual, na exata medida dessa desigualdade. Foi com fundamento nessa última dimensão do princípio da igualdade que se criou o Estado Social, em substituição ao Estado Liberal, e que se admitiram, em vários países, as chamadas “discriminações positivas”
1. Todo homem tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Todo homem tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será à base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade do voto.
Como se percebe, já em 1948 reconhecia-se que a soberania do povo só se torna efetiva, quando a eleição de governantes é complementada com o livre funcionamento de instituições da democracia direta ou participativa.
A Declaração Universal reconhece que ambas as dimensões da liberdade, a civil e a política, são complementares e interdependentes. A liberdade política, sem as liberdades civis, não passa de engodo demagógico de Estados autoritários ou totalitários. E a proteção das liberdades civis, sem uma efetiva soberania do povo, mal esconde a dominação oligárquica dos mais ricos.
A Declaração Universal reconhece que ambas as dimensões da liberdade, a civil e a política, são complementares e interdependentes. A liberdade política, sem as liberdades civis, não passa de engodo demagógico de Estados autoritários ou totalitários. E a proteção das liberdades civis, sem uma efetiva soberania do povo, mal esconde a dominação oligárquica dos mais ricos.
A Constituição e os Direitos Humanos
A Constituição de 1988 adotou alguns princípios estruturais. O primeiro deles é o de que as normas definidoras de direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata (art. 5º, § 1º). Sem dúvida, a própria Constituição criou o remédio judicial do mandado de injunção (art. 5º, inciso LXXI), “sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania”. Da mesma forma, atribuiu ao Supremo Tribunal Federal competência para declarar a inconstitucionalidade por omissão “de medida para tornar efetiva norma constitucional” (art. 103, § 2º). Tais garantias judiciais não dispensam, porém, o Poder Executivo e o Poder Judiciário de dar cumprimento imediato às normas constitucionais referentes a direitos e garantias.
O segundo princípio estrutural do sistema de direitos humanos, na Constituição de 1988, é o de que os direitos e garantias fundamentais, nela expressos, “não excluem outros, decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados” (art. 5º, § 2º). Superou-se, assim, como assinalado no início desta exposição, a distinção entre direitos humanos e direitos fundamentais, introduzida pela doutrina jurídica germânica e incorporada à Lei Fundamental de Bonn de 1949. Os princípios fundamentais da nossa organização constitucional e o regime político adotado são declarados nos quatro primeiros artigos da Constituição. Os princípios aparecem sob a forma de fundamentos (art.1º) e de objetivos (art. 3º). O regime político é republicano e democrático. A federação é forma de organização do Estado e não qualidade do regime político.
O terceiro princípio estrutural do nosso sistema de direitos humanos, pelo menos na origem, é o da equiparação entre as normas de direito interno e as de direito internacional. O já citado art. 5º, § 2º determina a inclusão no sistema constitucional “dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”. Sucedeu, porém, que a Emenda Constitucional nº 45, de 2004, acrescentou um parágrafo ao art. 5º, determinando que somente terão força constitucional “os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros”. Houve, aí, uma clara violação ao princípio da irreversibilidade dos direitos humanos já declarados oficialmente. Dado que o princípio da dignidade transcendental da pessoa humana se impõe não só aos Poderes Públicos em cada estado, mas também a todos os Estados no plano internacional, é juridicamente inválido suprimir ou enfraquecer direitos fundamentais, por via de novas regras. Deve-se notar que a equiparação entre as normas sobre direitos humanos de direito interno e direito internacional, no sistema de origem da Constituição de 1988, completava-se com a disposição do art. 4º, determinando que o Estado brasileiro obedeça nas suas relações internacionais, ao princípio da “prevalência dos direitos humanos” (inciso II).
Conclusão
Fizemos essas explicações históricas a respeito da evolução história dos direitos humanos, para que possamos compreender o processo evolutivo dos direitos. Percebemos que foram necessárias muitas lutas e batalhas, para que os direitos pudessem ser aprovados e reconhecidos, muitos perderam suas vidas na luta pela conquista dos nossos direitos, enfim, espero que esse texto sirva para uma reflexão histórica a respeito dos direitos humanos. Ainda é preciso fazer muito pelos direitos de vários segmentos da sociedade, que são ainda marginalizados e esquecidos pela sociedade. Podemos citar os gays, Afro- Descendentes, entre outros. Os direitos precisam se tornar para todos, não pode ser apenas um discurso retórico e político, ele necessita ser concreto, estarei sempre lutando para sua materialização e efetivação em nosso estado.
Valdemir Pascoal
Secretário Adjunto da Secretaria de Estado de Direitos Humanos do Estado do Mato Grosso
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Nota rápida sobre Joaquim Barbosa x TRF = Deputado Federal sem conhecimento de Brasil
O Presidente do Supremo Tribunal Federal, da mesma forma que
“alguns” Deputados Federais, demonstrou no caso da polemica do TRF’s claramente
que não conhece o Brasil muito menos suas extensões, diversidades, necessidades
e as condições as quais servidores e população em geral se relacionam com o
poder público seja ele executivo, legislativo e judiciário, principalmente como
isso é gerido no Norte do país aonde é necessário se locomover de barco ou
avião bimotor pelas especificidades da Região Amazônica e isso não é barato, imagina
além da locomoção ser difícil entre municípios menores, aonde ainda não existem
grandes estruturas formadas, até as grandes cidades ou capitais próximas, exemplo
disso é Manaus, imagina com toda a dificuldade de logística e locomoção, o transito
de documentos das varas comuns até o TRF da região? Sem contar a frustração
deste mineiro, presidente do STF, vir trabalhar em Brasília, exatamente nas
mesmas situações que trabalhava anteriormente em Minas, em um lugar aonde não
tem praia? Será que ele consegue compreender que os vários Estados e Cidades
brasileiras são de costa litorânea ou além de tudo ele nunca observou o mapa
Brasil e onde fica Recife, em Pernambuco? Usar 40% de verba indenizatória de
gabinete sendo Deputado em Brasília é fácil, a maior distância entre uma
localidade e outra é de no máximo 1h saindo do Gama em direção à Fercal indo
por Sobradinho sem ter que passar por nenhum rio de barca, gostaria de ver o
Deputado fazer este mesmo milagre se elegendo pelo Amazonas, ou pelo Acre, ou
por Rondônia, ou na Bahia, ou no pequeno Amapá.
P.S. Um pequeno desabafo, não dá para criticar sem conhecer,
da mesma forma não dá para elogiar, sem conhecer!
domingo, 10 de março de 2013
Sou contra o Pastor Feliciano, mas...
Acredito sim que a condução do Pastor Feliciano para a Presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados é um retrocesso, um erro e um atraso para a pauta nacionalmente e dentro do congresso. Um homem como ele que não consegue se relacionar com o que é diferente da realidade dele, respeitar o direito de liberdade do ser humano de ser e vir de onde e pra onde quiser, por si só demonstra a fragilidade do ministério deste pastor e o quanto ele não tem preparo nem respeito algum com o ser humano, o quê, por si só já o descredencia a postular este cargo. Porém, ele só foi eleito porque articulou com seus pares este espaço e os parlamentares da base e os parlamentares do PT foram negligentes e acreditavam que por serem do PT ou da base aliada seriam redirecionados ao cargo naturalmente, grande equívoco e a pauta esta pagando pela fragilidade e falta de articulação destes parlamentares. Falar bonito, ter boa oratória e dicção e construírem a pauta dentro dos seus mandatos não assegura vaga em lugar algum, ninguém é cativo num regime democrático, não existem espaços vazios na política e o Deputado Pastor se articulou com destreza e jogou a inoperância de alguns na vala comum, gostando ou não todo o barulho que está sendo feito, na minha opinião, é para mascarar o erro dos membros da comissão que se sentiam inatingíveis e acima do bem e do mal, para além de cobrar o Pastor Feliciano também deveriam questionar os parlamentares que representam essas bases!
#ForaFeliciano
#ForaRetrocesso
#ForaIncompetência
#ForaHipocrisia
#ForaArrogância
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