quarta-feira, 28 de maio de 2014

Desabafo!

Qual é o real sentido de tanta manifestação contra essa Copa do Mundo? O dinheiro gasto não é, só de passagem comprada de viagens internacionais pra cá se paga ao menos um Estádio inteiro, o que todos estes turistas vão gastar de hospedagem de hotel ou pousadas sem contar viagens internas pelo Brasil já se paga mais uns dois outros Estádios, não vou nem comentar sobre alimentação, compras, festa, experiência cultural tanto pra quem chega quanto para quem esta aqui, e se alguém ousar me responder que é porque o dinheiro do Estádio poderia ser investido na educação e na saúde é tão malicioso, hipócrita ou ignorante quanto os políticos que xinga, se forem ao portal da transparência http://www.portaltransparencia.gov.br/ e lerem o que é investido e o que é executado em cada uma dessas áreas todos os anos perceberá que as obras dos Estádios não representam nem 5% do orçamento trimestral de cada pasta. Ou seja realmente não tem sentido, a revolta é por indignação? Tudo bem, indignados com o que especificamente? Por favor não quero respostas superficiais ou sem conteúdo, quero algo concreto, factível, com nexo e sentido, eu fico envergonhado de ver alguns comentários nas redes tanto de anônimos quanto de pessoas conhecidas, não conseguem minimamente formular uma crítica simples sobre gestão de recursos, LEIAM ISSO: GESTÃO DE RECURSOS! Tenham por favor o que se indignar e saibam que vivemos em um país de Federação (procurem saber o que é isso) União, Estados e Municípios (a educação realmente é tão ruim nesse país que uma coisa óbvia não é compreendida por 80% de quem vai pra rua) e que cada um tem responsabilidades sobre GESTÃO DE SEUS RECURSOS, nunca foi e nunca será culpa somente de uma pessoa, uma gestão ou seja lá o que for!
Eu estou indignado, com quem esta torcendo para que alguém se machuque nas manifestações, com quem esta torcendo para haver conflitos com a polícia, com quem esta torcendo por imagens denegridas, com quem esta sendo MANIPULADO, BOI DE PIRANHA, BUCHA DE CANHÃO de quem realmente tem interesse de que tudo isso aqui de errado! Quer saber eu sou brasileiro, amo esse país, amo essa terra, odeio quem denigre seja de que forma for minha casa e o Brasil é minha casa, não me sinto representado por mais da metade das pessoas que estão nos parlamentos desse país, acho que tem realmente milhares de coisas erradas no nosso meio, principalmente nas relações pessoais, tema que vai muito além de quem esta ou não na política, e eu digo pra quem quiser ouvir, ter Copa do Mundo no Brasil é uma das maiores oportunidades desse país e tem um monte de anencéfalos curtindo o momento 'revolta' sem saber o que realmente esta fazendo!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Cotas ou Não, é a minha opinião



Discordo completamente do posicionamento do Presidente do STF, o Sr. Joaquim Barbosa...
Calma, isto não é apenas uma crítica vazia, vou expor os meus motivos baseados em noticias, dados, vivência...
Não vou forçar a memória de ninguém, vou exemplificar com acontecimentos recentes:
1) Jovem negro do RJ é confundido com bandido e é detido mesmo sem portar qualquer objeto, que não os próprios pertences. Detalhe, negro e do cabelo ruim!!!
2) Uma mulher negra do RJ é baleada e arrastada por policiais em uma favela porque acharam que ela estava ajudando os traficantes fornecendo café... Mesmo depois de gritos da própria comunidade informando que a vítima era trabalhadora, mãe de 8 filhos (4 biológicos e 4 adotados).
3) A manicure negra de Brasília que foi completamente humilhada no salão onde trabalha por uma cliente branca que não gosta de “gente desta cor”.

Querem mais exemplos?? Então, vou falar agora do que já presenciei... 

1) Tenho uma amiga que é farmacêutica, e é negra. Em um dia de expediente comum, um cliente branco adentra a farmácia e pede para ser atendido pelo farmacêutico, esta se apresenta e recebe como resposta: “Não quero ser atendido por uma negrinha... Vocês cheiram mal!!!”
2) No Park Shopping, duas amigas negras, rastafári, vestidas condizente com sua idade (14 anos) foram constantemente vigiadas com a desculpa de serem arruaceiras ou pior, ladras...

Tudo isso é normal??? Me desculpem, eu não acho!!!

A discrepância da realidade social e econômica entre negros e brancos é o cerne da discussão. A posição ocupada na pirâmide social por grande parte da população negra na atualidade é resultado da instauração e da manutenção de relações sócio-culturais e econômico-financeiras em que se privilegia uma parcela populacional em detrimento de outra.
A instauração do sistema escravocrata no Brasil, durante o período colonial, é certamente o alicerce em que se perpetuam desigualdades socioeconômicas, apoiadas sobre a discriminação de raça e subjulgamento de cultura, que, infelizmente se estende até a atualidade. Sobre este assunto, diz Marco Antônio de Oliveira, escritor do livro “Economia & Trabalho”: “a superação do escravismo não eliminou a heterogeneidade e a exclusão social.”
A variável raça exerce influência na determinação dos rendimentos de um indivíduo e, por conseguinte, em sua situação socioeconômica.
Diante de todos estes argumentos, eu enxergo a marginalização do negro!!
Não sou estudiosa do assunto, mas vivi, e ainda vivo, certas situações que até hoje me envergonham...
Entendam, não sou contra os brancos, e também não acho que a miséria existe apenas para os negros, maaaaaas, infelizmente, a forma de resolver o problema do branco pobre, é diferente da forma do negro pobre. 
 — se sentindo incomodada.

Karine Borghetti 

domingo, 19 de janeiro de 2014

Manifestação cultural ou conflito social?

A ascensão social da população brasileira expõem visceralmente reações antes camufladas, a rede social ajuda a divulgar colapsos de nossa sociedade tanto em aspectos negativos relacionados ao preconceito, o racismo, a indiferença; quanto positivos relacionados aos sonhos, ambições, inclusão, diversidade, pluralismo. As #manifestações de #junho de 2013, os #rolezinhos, #flashmobs cada um desses atos e outros que ainda vão vir desorganizam o sistema e reorganizam as relações sociais e o comportamento social, ainda é pouco as informações adquiridas de cada manifestação seja cultural, política, de comportamento ou o aglutino de todos os aspectos. Apoiar ou criticar o #rolezinho não definirá a motivação e necessidade dos jovens de todo o país de se encontrarem para trocar experiências, reagir a alguma decisão ou confrontar alguma idéia. De fato o perfil do jovem brasileiro vem mudando com a evolução social, tecnológica e da comunicação social. Quais os próximos reflexos dessa ascenção e aonde sentiremos seus reflexos? Um pequeno palpite, esses jovens vão retornar das férias para seus colégios, faculdades, igrejas e espero que contagie a todos incluindo partidos e agremiações políticas!

domingo, 29 de dezembro de 2013

#AltoFalante

Meu lindão, quantas saudades você deixará, escrevo essa carta como uma homenagem ou simplesmente um registro do que sinto e do seu significado e importância em minha vida. Antes de elencar memórias salientando o óbvio, deixo registrado um pensamento inocente, imaginei verdadeiramente que o teria perto por toda vida, sempre soube de suas fragilidades, mas, inconscientemente acredito que anulei qualquer possibilidade de não encontra-lo em qualquer circunstância de família ou uma visita corriqueira, no imaginário que construí você sempre estaria lá e estará certamente, vivo em nossas lembranças guardado sempre com tanto carinho e zelo por cada um de nossa família, as marcas que você deixou em nós, sem querer marcar ou compreender o sentido deste gesto ficarão como uma tatuagem registrada na pele.

Desde que nasci e desenhei os primeiros passos e frases você já estava presente, meninos inocentes, adolescentes desconexos da realidade cresci tendo você sempre tão presente horas próximos e em outros momentos nem tanto, foi fácil perceber com o tempo que um de nós mesmo com a idade não crescia como todos os outros primos, continuava um eterno meninão, era especial, diferente mesmo sendo igual, para nós crianças a inocência do convívio manifesta o costume da vida, aprendi sozinho e as vezes em alerta dos mais velhos a separar o seu lugar, te respeitar em seu espaço e seu mundo, esse mundo mágico que muitas vezes busquei compreender e isso era muito mais fácil quando ainda não existiam responsabilidades, necessidades, dificuldades, com os anos, entrar no seu mundo ficou mais distante, porém, nunca, jamais deixei de compreender que o seu, era o mundo que deveríamos respeitar e o nosso, era o mundo que deveria se adaptar e era fácil construir esta relação cognitiva, era só ouvir e atender aos seus sinais, quando era para falar ou quando era hora de parar ou simplesmente calar, sua forma repetida de falar da vida não era mais que um sinal próprio e peculiar do que lhe marcava, todos os seus registros eram encantadores, eu mesmo provocava a repetição em horas para demonstrar à vida o que era importante viver, conviver.

Minha tia algumas vezes me relembrava de estripulias de crianças que incluíamos você como se fosse simplesmente um de nós, não era tão simples assim e era assim que assistimos você, tão especial, complexo e simples ao mesmo tempo, o cuidado que era necessário para te deixar bem, foi o acompanhando o observando e todos em sua volta que construí heróis, personagens pessoais. Você é reflexo de tanta coisa em minha vida e eu nunca verbalizei ou declarei isso de qualquer forma, sempre foi um registro só meu e vou agradecer ao Pai e a você eternamente por tudo que aprendi e acumulei com sua vida. Não tenho outra forma de dispensar a timidez ou a condição encabulada de clarear meus pensamentos do que aproveitando o momento o acaso e relatando em escrito o que guardei nestes trinta anos de vida, nos quais os últimos 5 anos guardei para reflexões pessoais e em todas elas o seu registro era tácito em meus pensamento, esta data ficará intimamente registrada em minha vida como um testemunho, o dia 26 de dezembro de 2013, foi claramente o perfeito dia em que o céu entrou em período de festas, impossível não perceber a alegria de Deus ao receber de volta em seus braços seu maior professor dos últimos 32 anos lecionando sobre o amor, respeito, carinho, simplicidade e grandeza e é assim que o vejo, mesmo sendo para todos nós uma criança.

Engraçado como depois de uma semana larga e chuvosa, com o tempo sempre restrito à tempestades e o frio rasgado pelo vento, nesta quinta feira, amanheceu clara, leve, ensolarada, com nuvens bem formadas e aquele azul incomum do céu de Brasília, traçado pelo arquiteto, perfeccionista, como Djavan descrevera. A alegria era tanta que daqui debaixo eu conseguia ouvir as trombetas ressoantes, era só fechar os olhos que o som harmonioso refletia no coração, na alma. Poucos conhecem da minha relação com Deus, minha busca constante em compreende-lo, ouvi-lo, senti-lo, e foi sempre em detalhes da vida, nas vírgulas e entrelinhas que busquei maior intimidade e relacionamento com ele, queria como Elias, Moisés, Abraão, Noé ouvir a voz clara e audível de Deus e compreendi de alguma forma que era possível observando as cores que distinguem árvores, flores, plantas, nos desenhos dos rios, o movimento das águas do mar, na diversidade da vida, são detalhes que me prendem a atenção e neles encontro Deus, mas, nunca fez tanto sentido Deus, a palavra, o evangelho quanto nesses últimos meses, Tio Sérgio sem saber confirmou em nosso último encontro exatamente o que eu estava à encontrar ou reencontrar, o significado deste relacionamento, e quero te agradecer, pois sempre esteve tão perto a minha busca, era você meu primo, meu irmão, meu professor, a resposta simples e complexa. Você me ensinou a conhecer mais do que qualquer outro quem eu declaro amar, me entregou a razão de seguir e prosseguir neste amor. Você é Marcinho a personificação do amor de Deus, você é a pintura mais clara dentre todas as obras de Deus que o descrevem em sua própria arte, Papai do Céu escolheu descrever o amor e o que é amar através de sua vida e eu quero agradecer a vocês dois, por terem me dado a honra de crescer com você, mesmo hoje entendendo que o único que cresceu foi você e nenhum outro de nós esta perto de alcançar você em amor, mas tenha certeza, se tornará uma meta.

Obrigado por tudo, eu simplesmente te amo. 

sábado, 7 de dezembro de 2013

Sábado, 30 de novembro de 2013.

O tempo relativo da vida muda conforme nossas experiências e sensações do dia, o prazer ou desanimo refletem em nossa percepção de velocidade do próprio tempo. O tempo real da vida é estático, imutável, cronometrado e não se altera com o clima, sensação ou qualquer acontecimento. A idéia do dia passar rápido ou o próprio tempo demorar a passar, mesmo os segundos e minutos serem os mesmos, vem da nossa dinâmica de sentimentos construídos ao decorrer do dia. 
Este pensamento é reflexo de uma experiência simples, que trouxe à tona "necessidades", a junção de acontecimentos, sensações e sentimentos provocados por um ato, caminhar na chuva! Observar as primeiras gotas caindo nas flores, árvores, grama e ao chão, aves buscando abrigo pelo caminho vazio e sem obstáculos, conforme o clima altera o percurso do ambiente é possível perceber também mudança no cheiro, conforme as gotas aumentam, se fecharmos os olhos é provável resgatarmos lembranças deste cheiro da chuva na grama que se molha, da árvore que intensifica seu aroma, na terra, neste momento já possível sentir o gosto, a água do céu limpando o caminho, molhando o rosto, o cabelo, a roupa, com a chuva mais grossa qualquer um fecha os olhos e abre a boca. De repente crianças correndo, descalças, apostando quem chega primeiro em um lugar pra se esconder da chuva, mesmo todos molhados e sentindo a graça da chuva, este momento descreve qualquer cena, seja de um filme ou lembranças do passado recente ou longínquo. A chuva em si é água que cai do céu com explicações cientificas definidas, todo o contexto é que trás sensações, sentimentos e reflexão, observar a simplicidade da chuva carregada de cheiro, gosto, sons explica todo o resto. No final de tudo ainda molhado, ainda chovendo percebi que estava cego, surdo e sem condições de sentir o verdadeiro gosto das coisas e a água que caia do céu me lavou, me limpou, me fez ver e ouvir, me encontrei novamente no lugar aonde sou mais feliz, obrigado Pai! Eu te amo.

domingo, 6 de outubro de 2013

2014 começa aqui.

A corrida eleitoral se inicia de verdade a partir de hoje, vários são os cenários eleitorais e possibilidades de alianças pelos Estados, mas, é preciso fazer algumas leituras do cenário que se desenhou ao final deste dia 05 de outubro de 2013.

1) Para a Presidenta Dilma e para o PT muda muito pouco a ida de Marina para o PSB em relação a disputa Nacional e os Estados, com exceção o Distrito Federal. Dentro das possibilidades desta união se mantem a necessidade de alianças político-partidárias para o PSB construir bons palanques, o que possibilita articular apoios e ter visibilidade nos Estados. A possibilidade de Marina ser Vice de Eduardo Campos ou o contrário fragiliza a campanha de qualquer um dos dois, o que forçará, no caso, que a coordenação de campanha priorize os grandes centros e capitais exatamente aonde o PSDB, DEM e PPS concentram suas forças, provavelmente aonde esta aliança encontrará maiores condições de apresentar seu programa dirigindo sua linguagem para a classe média brasileira.

2) O fato de termos três partidos disputando a direção do país e não quatro como se desenhou durante um tempo aumenta a possibilidade de termos uma eleição de único turno, acreditando que esta aliança Marina/Campos disputará muito mais espaço com Aécio ou Serra do que com o PT. Fazendo comparações com as últimas eleições, Marina teve êxito descolando parte do eleitorado histórico do PT, insatisfeito com as matérias veiculadas na imprensa nos últimos anos. Como este recorte já esta contabilizado pouca mudança no cenário, Eduardo Campos terá o trabalho de convencer este eleitorado a repetir o voto de insatisfação e tentará ampliar sua votação aonde o PT não tem alcançado êxito. 

3) Marina Silva e Eduardo Campos deram um recado para o país, organizando um campo de centro-esquerda com possibilidades de ampliar esta aliança mais a esquerda com um bom programa a ser apresentado ao Brasil, disputará o voto de um eleitorado que já esteve representado nesta plataforma política. Teremos duas chapas com programas progressistas e um neoliberal, o que provavelmente reposicionará o eleitorado brasileiro em uma plataforma eleitoral com programas claros de uma política de esquerda. Marina principalmente deu o principal recado fazendo a opção ao PSB, mesmo podendo optar pelos partidos PPS e PEN, pragmaticamente mais interessantes dentro de sua escolha política de disputar a Presidência do Brasil. 

4) O PPS pode ter a grande oportunidade de corrigir um equívoco político e buscar uma aliança novamente à esquerda, mesmo após anos de pragmatismo político e fisiologismo comandados pelo ex-Comunista Roberto Freire. Buscando construir uma aliança programática com o PSB e Marina Silva, o que proporcionará à todos bons palanques, com propostas mais coerentes. Ou, pode o PPS finalmente afirmar sua vocação neoliberal e formalizar a aliança dos últimos anos.

5) O PSOL é outro partido que poderá também dar seu recado nesta eleição, com a escolha de Marina o PSOL poderá finalmente firmar uma aliança forte no cenário nacional, ratificando os passo de Marina e Eduardo Campos, consolidando assim uma chapa orgânica de centro-esquerda, reorganizando politicamente parte do Campo Democrático e Popular. Ou, poderá assim como o PPS, optar por uma chapa própria sem alianças, mantendo o racha dos partidos de esquerda.

6) Neste cenário o PSB e a Marina entregaram um importante presente ao Partido dos Trabalhadores, meu e da Presidenta Dilma. A grande oportunidade de afinar o discurso, apresentar ao país uma pauta mais desenvolvimentista, com uma agenda política clara progressista e de esquerda, repactuando nacionalmente com suas principais bandeiras socialistas. E após as eleições, se conseguir reeditar suas últimas vitórias, poderemos ver uma repactuação dos partidos da esquerda brasileira no último mandato da Presidenta, o que possibilitará ao Partido dos Trabalhadores e o Governo Federal enfrentar reformas que diariamente são refutadas pelo congresso atual, para além de reencontrar seu eleitorado. Ou, poderá acirrar a disputa eleitoral a ponto de se distanciar destes partidos e novamente se tornar refém da relação congressual com os partidos nanicos atrasando um pouco mais as reformas que o Brasil precisa enfrentar.

7) De tudo, o que também poderá acontecer é, caso o PSB compreenda a necessidade de ampliar a aliança para fortalecer seus palanques nos Estados, nada melhor do que priorizar o Distrito Federal, aonde a ex-Senadora teve mais votos e possivelmente maior apoio entre parlamentares. Nada mais óbvio do que uma candidatura ao Senado para ter uma sobrevida de mais 8 anos no cenário político, já que uma nova derrota fragilizaria muito seus planos futuros ou quem sabe até mesmo um plano mais ousado, lançando Marina a candidata ao palácio do Buriti, correndo o risco de ver sua candidatura ser rejeitada por um eleitorado cansado de forasteiros, porém, um palanque que cairá formidável na imprensa nacional possibilitando divulgar a parceria projetando Eduardo Campos para além do Nordeste aonde Lula é Rei.

É importante lembrar que Marina Silva e Eduardo Campos são ex-Ministros do Governo Lula. Marina perdeu espaço no Governo e no Partido com o fortalecimento de Dilma e decidiu construir sua própria trajetória partidária, Eduardo Campos se manteve na base de apoio do Governo durante os 11 anos de Governo PT, até o fim do prazo de filiações deste ano de 2013 na oportunidade de disputar as eleições presidenciais. Sinal de que o Governo deu certo e projetou importantes quadros para a política nacional.  

terça-feira, 9 de julho de 2013

DAR SENTIDO A ESSA REBELDIA, É O MAIOR ENSINAMENTO DE 68



França Maio de 1968 

Greve Geral em maio de 68 na Praça
da Liberdade em Paris, França
Em Maio de 1968 a França parou com uma greve geral, os movimentos que antes eram dispersos e sem apoio ao decorrer das manifestações começaram a adquirir significado e proporções que para época poucos entendiam a complexidade e a importância daquelas ações, muito menos o que significaria isso anos depois. Com o decorrer das mobilizações e com a resposta do Governo endurecendo o diálogo, o general Charles De Gaulle, então Presidente da França, observou a unificação dos movimentos, o que ampliou a repercussão causada pelos atos que incluíam jovens e trabalhadores. Justamente pelo endurecimento do Estado enfronte as manifestações buscando desmobilizar o comando de greve, com o apoio de partidários e aliados do Governo no intuito de desconstruir a revolução que nascia. Charles De Gaulle sabia que em um ambiente de confronto as melhoras armas para impedir o crescimento de uma consciência de esquerda em seu país era a contrainformação, utilizando argumentos, notas publicadas, artigos em jornais fazendo referência aos Comunistas, que compunham o maior partido de esquerda da França e segundo o governo planejavam um golpe de estado contra a República, com isso, essa bela e emblemática insurreição popular, foi suprimida pelo governo.

Sem duvida alguma, esse ato de rebeldia foi um dos acontecimentos revolucionários mais importantes do século XX, porque não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores ou minorias, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade e de classe. Se iniciou com uma série de greves estudantis e, em algum momento, explodiu em confrontos com a administração pública e a polícia. A tentativa de o governo acabar com as greves através de ações policiais, gerou um efeito contrário potencializando ainda mais os conflitos que culminaram em um ato de greve geral de estudantes e trabalhadores com ocupações de fábricas em toda a França, às quais aderiram dez milhões de trabalhadores, ou seja, dois terços dos trabalhadores franceses naquela época. A maioria dos insurretos eram adeptos de idéias e bandeiras das esquerdas, socialistas, comunistas ou anarquistas. Muitos viam os eventos como uma oportunidade para sacudir os valores de uma velha sociedade, para poder apresentar idéias avançadas sobre a educação, a sexualidade e o prazer.

Brasil ano de 1968



Passeata dos Cem Mil na Cinelândia, Rio de Janeiro
Em terras Tupiniquins, também em 1968, a sede de liberdade e a vontade de vivenciar novas aventuras faziam com que jovens, artistas, intelectuais e militantes de esquerda, buscassem quebrar barreiras sociais e valores até então estabelecidos por gerações anteriores. Esse novo tipo de existencialismo faria naturalmente que essa geração buscasse um rompimento com um modelo estabelecido até então, pelos governantes políticos.

A discussão sobre sexo nas salas de aula, o avanço da moda que era reflexo da rebeldia daquela geração, o uso da pílula anticoncepcional, que provocava mudanças no comportamento da mulher brasileira, o uso da maconha pela classe média alta, muitas vezes até como posicionamento político e ideológica, a referência e necessidade de leitura de autores que tinham uma visão revolucionária como: Karl Marx, Feud, Satrer, Guevara e etc.

No cinema, no teatro, na poesia e na música, essa geração conseguiu mostrar seus talentos, pensamentos e buscar o conflito com o arcaico e o retrogrado. O surgimento da Tropicália é uma das mais importantes manifestações culturais dessa juventude, pois ela nasce através de uma imensa necessidade de expressar, através da arte, o momento que o Brasil vivia. Enfim era uma geração eufórica, avançada, criativa e com muita sede de cultura em todas as áreas da vida.

E da mesma forma que na França o Brasil vivia em clima de tensão pelo comando militar presidencial que imperava nos dois países. Aqui, quatro anos depois do Golpe Militar, os governantes continuaram com o regime ditatorial, só que de forma mais dura e brutal, censura cultural e de direitos, cassações políticas, torturas, exílio e repressão eram as características principais da política brasileira. Os estudantes e trabalhadores sindicalizados tiveram cassada por lei à participação nas questões políticas e vedada qualquer organização de manifestação. Diante de tanta repressão e perseguição, a indignação tomou conta e estudantes, trabalhadores, intelectuais, artistas e diversos setores da sociedade sentiram a necessidade de criar um movimento de resistência que lutaria contra tudo isso.
Velório de Edson Luiz Lima, morto com um tiro no peito

Como na França o endurecimento do Governo com a repressão militar e o uso excessivo da força policial foram o estopim social para ascender a inconformidade e o desejo de mudança, no Brasil o fato que marcou a ascendência popular foi a morte do estudante Edson Luiz Lima Souto que chocou todo o país. Durante o seu enterro houveram várias demonstrações de indignação com o sistema que pairava na sociedade brasileira, milhares de pessoas revoltadas se reuniram em frente à Assembleia Legislativa para prestar a última homenagem e o último adeus a Edson Luis.

A situação era difícil para os estudantes e trabalhadores, à repressão contra os movimentos estudantil e sindical era implacável, um exemplo deste fato foi o chamada “sexta-feira sangrenta”, estudantes, trabalhadores, membros de partidos e grupos de esquerda juntamente com boa parte da sociedade civil, enfrentaram a polícia. Esse enfrentamento resultou em mortos e feridos, entre eles um soldado da Polícia Militar. Nesta “sexta-feira sangrenta”, o Rio era reflexo do movimento "Maio de 68" que acontecia em Paris.

A violência só aumentava, e os movimentos de esquerda, naquela altura já clandestinos não se rendiam. Os estudantes, com o apoio da classe média e moradores do Centro e da Zona Sul do Rio de Janeiro conseguiram organizar uma das maiores passeatas registradas até então no país durante aquele período. A Cinelândia foi tomada com mais de cem mil pessoas, registrando assim a simbólica “Passeata dos Cem Mil”, a maior demonstração de luta e resistência social contra a Ditadura Militar.

Com a repressão instaurada pela Ditadura, o uso da força militar e policial, a inteligência do Estado sendo utilizada como instrumento para desmobilizar e desconstruir os grupos organizados, a contraiformação pautando as ações do Estado nas rádios, que subsidiariamente, na grande imprensa, conseguia falsamente implantar informações errôneas, taxando como terroristas aqueles que lutavam pela liberdade de expressão e pela democracia, sendo estas as táticas utilizadas pelo comando do Governo Francês para fragilizar e desnutrir o movimento grevista, assim também no Brasil os movimentos de esquerda, estudantil, os trabalhadores organizados, aos poucos perderam força e em 13 de dezembro de 68, durante o governo do general Costa e Silva, foi estabelecido o Ato Institucional Número 5 (AI5). Esse ato legitimava a censura prévia a todos os meios de comunicação e controlava rigorosamente qualquer produção cultural. O Ato Institucional Número 5 se estendeu até 1978 e foi o período mais rigoroso da história política do Brasil.

Brasil 2013

Nos últimos anos, as rebeliões populares no mundo árabe, em países da América Latina e em partes da Europa, mostram um novo acordar e ressurgir de indignação da sociedade e principalmente da juventude, protagonista das maiores manifestações populares deste novo século. No mundo afora, jovens que sonham e buscam liberdade, direitos, queda de planos econômicos, dão o tom de rebeldia contra o velho mundo ocupando espaços públicos como as praças e ruas, entregando um recado claro ao sistema, com gritos, faixas, cartazes e camisetas. Evidente se torna a necessidade de retomar por parte do povo os Direitos e as Negações. No Brasil tivemos a geração da resistência à ditadura e àquela da transição democrática, seguida pela que resistiu ao neoliberalismo dos anos 90 e a geração de hoje, que busca aperfeiçoamento do instrumento democrático, um convívio mais harmônico com a cidade e o meio ambiente, o fim dos preconceitos, e, em geral, melhor qualidade de vida.

Notadamente é perceptível a volta da inquietude questionadora da juventude, que ainda de forma embrionária, se manifesta numa rejeição incipiente às formas dominantes de viver, muitas das vezes sem compreender o por quê e de forma superficial. Mesmo assim, como vanguarda, não mais isoladamente, se insurgem contra a polícia não somente contra a força repressora, mas, também contra o extermínio de jovens, o racismo, a criminalização da maconha, o machismo, o preconceito, a corrupção, contra a tributação e os impostos praticados pelo modelo econômico brasileiro, contra o aumento contínuo de tarifas sem resultados práticos de melhoria de sistemas ou equipamentos públicos, sem esquecer da falência do sistema partidário e o envelhecimento do diálogo político.

É preciso negarmos a nós mesmos, viventes do atual modelo político, para fazermos uma autocrítica e uma análise realista do momento político e social que vivemos, importante também avaliar qual tem sido nossa contribuição para sua melhoria ou estagnação, as contradições e contemporizações deste modelo político e o reflexo disso na sociedade durante anos. O povo que foi às ruas proporcionou um significado às suas próprias insatisfações clamando por sinceridade, honestidade, ética, compromisso, cumprimentos de promessas, palavras e acordos. Estes temas, pautados de Norte a Sul do país, apresentavam como mérito de conduta em todas as mobilizações, a insatisfação geral, questionando a representatividade das esferas de poder e representação social. Obviamente, parte de toda inquietude é manipulada por informações de interesses, que conflitam com a realidade. Sobre este assunto, é importante observar que  à disputa de poder passa pela gestão da informação e pelo novo modelo de comunicação social por parte das redes. Mas, antes de dar qualquer sentido aos atos que tomaram as ruas do país é necessário conectar esta parcela da juventude na luta por uma política mais global. 

13 de Junho de 2013 


Tomada do Congresso Nacional em
Brasília, Marcha do Vinagre


Embora não possamos antever a configuração do movimento que a rebeldia latente da juventude promete eclodir, podemos apostar que será um movimento de caráter juvenil e popular, autônomo em relação às instituições e corporações que não se adequarem a este momento, e, com fortes traços culturais. O recado das ruas tem sido claro, e com a ampliação de direitos, a democratização do acesso a universidade, o crescimento da economia interna e externa, o poder de compra, e, a ascensão das classes sociais atingimos um outro patamar de estrutura social, obviamente, aumenta-se o nível de exigência por parte da população. A cobrança é consequência do crescimento e da evolução econômico social do país. 

Todos os componentes desta estrutura política - partidos, sindicatos, organizações sociais, movimentos organizados e a esquerda -, dentro desta esfera de disputa de poder, precisa produzir um novo ambiente de diálogo, atualizando e avançando em novas propostas de modelo de gestão de Estado e organização social. O espaço de disputa social é contínuo, assim também é a evolução da comunidade com a chegada de novas tecnologias e o acesso prático à informação, condutor geracional. Mais do que nos prepararmos, devemos disputar a hegemonia do senso comum, no sentido de conduzi-los para uma política mais ampla. Porém é necessário rever nossas posições e propostas, zerar nossas bandeiras observando o que já foi alcançado e apontado, nos norteando para o avanço.

Faz-se urgente e necessário também, gestar um novo movimento que não seja só um ato de rebeldia com a cultura dominante, mas que consiga sim produzir algo novo, que traduza este sentimento e esta sensação de transformação, com bases fortes, imprimindo nossa característica tropical, heterogenia, com pilares democráticos, observando a necessidade de repensar o convívio da cidade com o meio ambiente, a integração entre os povos por meio da comunicação universal e acima de tudo resgatar o ser-humano como agente principal de transformação. Construir um ambiente coletivo de diálogo e de expressão artístico e cultural, maduro, consciente e consistente, assim como a semana de arte moderna, a Tropicalia e outros que representaram bem suas respectivas gerações.

Partido, Governo e Movimentos Sociais

Essa nova geração será guardiã da luta por mais direitos. É importante acompanhar a evolução destes novos direitos conjunturalmente, assim como a juventude de 68 queria as reformas de base, hoje, esta nova juventude avança por lutas como a da Reforma Política ampla, Reforma Tributária, Reforma da Administração Pública e de lutas de natureza ambiental, de melhoramentos democráticos, principalmente na comunicação, além de seguir na luta por mais direitos aos jovens trabalhadores e na conquista de mais avanços na pauta de Direitos Humanos, de defesa da soberania nacional e da paz. As mentes e os corações dos jovens estão prioritariamente em outros lugares: nas questões ecológicas, nas liberdades de exercício da diversidade sexual, nas marchas da liberdade de forma geral, bem como a livre expressão na internet, na descriminalização das drogas leves, nos temas culturais, entre outros temas, que estão longe das prioridades governamentais e partidárias. Essa é uma tarefa irrecusável e inadiável das forças consequentes em sua opção política, para que possamos assim, seguir na construção de um Brasil onde a justiça social, a fraternidade e a solidariedade não sejam meros conceitos e sonhos, e sim, realidade e vida.

O PT e o Governo possuem condições objetivas para dialogar com os jovens a partir de suas bandeiras e seu projeto de país, mas, para isso, principalmente o Partido dos Trabalhadores, precisa ir além das sinalizações e congressos, precisa efetivamente ampliar seus interlocutores e atores políticos, possibilitando construir novas pontes de diálogos com esta nova geração, renovando sua linguagem e seu modelo de gestão interno, ampliando seu lastro social, construindo um ambiente de interação com a comunidade, convocando-a e convidando-a à participar dos fóruns de debate e escolha de seus candidatos, assumindo como prioritários temas como os ecológicos, os culturais, os das redes alternativas, os da libertação nos comportamentos sexuais, em um novo modelo de gestão urbana, entre outros. Falar aos jovens, mas acima de tudo ouvi-los, recepcionando de forma madura e conexa suas reivindicações, tanto para dentro do partido quanto para fora, tanto para dentro do governo, quanto o governo fazer dessa escuta ferramente de comunicação social e resposta de gestão para fora. Devemos ter a consciência de que os que foram as ruas são a ponte do futuro, do novo e que só construiremos esse futuro de forma sensata colocando-os em primeiro plano ou teremos um futuro triste, opaco, sem a alegria, sonhos e utopia, até que eles se levantem e busquem a luz, por si só, mas, se assim for, não teremos aprendido com o ano de 1968. Tão Longe e tão perto!

Reflexão do texto


A trilha sonora, que nos ajudou a refletir sobre o contexto das manifestações por todo Brasil, foi Música Urbana da banda brasiliense Capital Inicial:
"Contra todos E contra ninguém O vento quase sempre Nunca tanto diz Estou só esperando O que vai acontecer...

Tudo errado, mas tudo bem Tudo quase sempre Como eu sempre quis Sai da minha frente Que agora eu quero ver...

Não me importam os seus atos Eu não sou mais um desesperado Se ando por ruas quase escuras As ruas passam...."

Este texto não busca analisar o comportamento social e o reflexo das manifestações na sociedade brasileira, estas análises somente serão possíveis e cabíveis de compreensão com o passar dos anos. Contudo, os que foram para as ruas em todo o país, marcharam uníssonos, rebeldes, contextualizados e descontextualizados, com verdades naturais e verdades criadas, com suas bandeiras de luta e de rua, bem como com bandeiras compradas e manipuladas, cantaram e entoaram como se estivessem acordando verdadeiramente um Gigante sonolento, adormecido, que acordará atordoado e sonolento, sem rumo, sem prumo, saindo de casa atabalhoado, convocado pelos amigos e inimigos, sem ler o recado que sua mãe, a Pátria Amada, gentilmente deixou grudada em sua geladeira, que enquanto ele dormia, a vida corria, sem paradas e com muitas jornadas.


Texto de Fernando Neto e Pedro Del Castro




Fernando Neto


Pedro Del Castro